É assim simples. Ponto! [...] E lá estava eu, 33 anos na cara, havia alguns no balcão de um bar... O ano é 1996, no fundo “Free Bird” inunda o bar naquela viagem de quem toma ácido em uma festa enquanto está num tipo de ‘lambuza-corpos’ ou ‘esfrega-coxas’. – A merda da vida é assim... psicodélica. E aqui estou eu, o lugar é o “Fly”. O Fly é o meu bar; sabe, “Bar Fly” em homenagem a Buk. – Conhece? (Não?! – Ele foi simplesmente o maior imprestável que já se pôs a escrever, e fez sucesso.). – Bem, retornando ao fly; Bukowski fez de todo aquele inferno imundo e fedido, o seu paraíso; o Fly é o meu... – Aqui penso, observo, filosofo, critico, brigo com os clientes e às vezes sirvo um drinque ou outro para alguém. – Tudo bem que não escrevo como Buk, e também não vivo como Henry Chinaski... – O Fly é isto: “meu modo sórdido e decadente de vida”.
Eu?! [...] Bem, deixe que me apresente... sou Alexander Sinnerman (pronuncia-se “Alexzander” como se houvesse ‘z’...), mas todos me chamam de Alex. – Como dizia, sou dono do Fly, que também quer dizer mosca em inglês. [...] Já aviso que diferente do que você vai imaginando, não sou um desclassificado que montou um bar... sou apenas um desmotivado de viver que encontrou aqui um passatempo até a morte chegar. – Sou filho de imigrantes russos (por isto a pronuncia difere), nascido e erradicado aqui mesmo; tenho pele clara, cabelo curto repicado e olhos num tom magenta escuro e exatos 1 metro e 70 centimetros onde se distribuem 64 kg.
Sou um cara comum, com uma boa educação; gosto de moda, poesia, filmes dos anos 30 e bons charutos; tenho uma habilidade em especial, transformo qualquer merda no melhor drinque da cidade... mas por hora o meu lugar está como o nome, ‘às moscas’. – O Fly encontra-se às portas da amargura, onde haverá sempre motivos para beber... costumo dizer que é só seguir à sarjeta que acabará sentado aqui. – O fly é simples, tem um balcão longo que começa há poucos metros da porta e segue até o fim, no banheiro. Contam-se 12 banquetas ao balcão e mais 4 mesas com aqueles bancos pequenos de madeira como os da igreja católica (devem caber umas 4 pessoas em cada). Às banquetas são de madeira estofadas em um tecido vermelho. – Eu daqui de trás posso ver o bar todo, do banheiro (unissex, mas só usado por homens) à maquina de disk player que se encontrava próxima à porta.
Sempre haviam uns clientes habituais, e às vezes eu era rude com eles... não gostava de dar moral assim; os mais fodidos me confidenciavam coisas, eu não dava muita importância a isto, apenas ajudava a manter o caixa das gorjetas com um giro constante. – Trabalhava sozinho, morava no segundo andar de um galpão que loquei a umas duas quadras daqui. Os outros dois andares também são locados por outras pessoas, mas no geral é um local bem seguro e grande, por isto mantenho o meu estoque por lá.
Não tenho filhos, não tenho mulher, não tenho carro... não vejo a família fazem alguns anos. Não tenho laços que me prendam no mundo, exceto os poucos bêbados que infestam essa merda de lugar logo cedo. Mas eles que fodam-se também se eu quiser. – E logo chegariam eles, aos poucos; e sentariam, gastariam o suado salário do proletariado para beber o veneno que sirvo... “Ahh... doce é o álcool, que relaxa as mulheres e dá coragem aos homens para fazer o que tem que fazer...” – E o pior que era verdade para a esmagadora maioria, exceto para aqueles que nem eu, ‘que já nasceram desparafusados o bastante para estar fodendo para me foder’. – Mas o que sabe quem está atrás do balcão... [?]
E assim o dia passou até chegar alguém...
domingo, novembro 30
quarta-feira, novembro 26
Prefácio
Era dia ainda, eu estava numa pocilga de bar, do lado de cá do balcão. Foi quando aquele cara chegou. Não via o seu rosto, e vinha direto ao balcão... Era um pouco alto, vestia uma roupa preta... não olhava ninguém. Só vinha. – “Eu?”, na hora já tive aquela impressão de que ia rolar merda. – Ele tinha aquela aparência de mal sujeito que agente vê nos filmes ‘western’... “Sabe?” Aquele jeito de ser o cara com quem você não quer topar hoje? – O barman d’outro lado só observando aquele que entrou. O barman trocava o palito de lado na boca... “não que fosse gente fina, sei lá... mas também não era o cara com quem gostaria de topar”.
Pois então, o cara entrou, vinha até ali sem olhar ninguém, sentou do meu lado. E o barman perguntou o que ele ia querer: “O que vai querer”... era um tom como se mandasse o cara foder a própria mãe. E do mesmo modo o cara respondeu: “O que você tem?”.
Eu ali, olhando aquela cena agora tinha certeza da parada com a merda. – “Sabe quando você acha que não tem nada mais a perder?”... então cara, este era eu quando entrei lá naquela tarde. Mas agora não cara, estava todo cagado, temendo pela minha vida. JURO... se tivesse uma chance de não ter entrado lá naquela tarde. Se eu tivesse uma chance pegaria ela e dava o fora dali.
Mas voltando, os dois se encaravam agora... – E eu ali, não olhei para o forasteiro... olhava para o barman, esperava a resposta. – Foi quando o barman abriu a boca e ainda sério falou: “Tenho cerveja, vai querer?”... – Eu tentei não olhar, mas já não tinha controle dos meus sentidos... e quando olhei a cara do forasteiro... ele não esboçava nenhuma reação. Foi aí que ainda com o copo na mão pulei fora da merda da banqueta... o forasteiro trazia o maior trabuco que mão que eu já tinha visto. Pôs na cara do barman. – Eu ainda me afastando, de pé, gelado e suando, com o braço molhado na cerveja... – DOIS TIROS! – Agora também respingado do sangue do barman. – Logo em seguida ele vira na minha direção. – UMA CARGA DE TIROS! – Eu, vôo ao chão, de baixo duma mesa, entre as cadeiras, tentando me proteger do fim do mundo. Outro cara no fundo do bar tinha sacado uma pistola e estavam os dois destruindo o local...
Lembro até hoje a música que tocava enquanto tudo ia pelos ares. – Literalmente pelos ares... – Era “Whitesnake, looking for love”. Quando terminaram o forasteiro se foi. – Não me notou ali abaixo do chão... segurando aquele copo de cerveja. E lhe digo camarada... daquele dia miserável sabia que teria o meu próprio bar... ter para esperar pelo forasteiro que estourou aquela merda abaixo ao som de Whitesnake. Que matou o barman na minha frente, e não me matou. – Para esperar por dias como aquele, onde coisas estranhas e inexplicáveis acontecem ao som de uma balada de rock.
Pois então, o cara entrou, vinha até ali sem olhar ninguém, sentou do meu lado. E o barman perguntou o que ele ia querer: “O que vai querer”... era um tom como se mandasse o cara foder a própria mãe. E do mesmo modo o cara respondeu: “O que você tem?”.
Eu ali, olhando aquela cena agora tinha certeza da parada com a merda. – “Sabe quando você acha que não tem nada mais a perder?”... então cara, este era eu quando entrei lá naquela tarde. Mas agora não cara, estava todo cagado, temendo pela minha vida. JURO... se tivesse uma chance de não ter entrado lá naquela tarde. Se eu tivesse uma chance pegaria ela e dava o fora dali.
Mas voltando, os dois se encaravam agora... – E eu ali, não olhei para o forasteiro... olhava para o barman, esperava a resposta. – Foi quando o barman abriu a boca e ainda sério falou: “Tenho cerveja, vai querer?”... – Eu tentei não olhar, mas já não tinha controle dos meus sentidos... e quando olhei a cara do forasteiro... ele não esboçava nenhuma reação. Foi aí que ainda com o copo na mão pulei fora da merda da banqueta... o forasteiro trazia o maior trabuco que mão que eu já tinha visto. Pôs na cara do barman. – Eu ainda me afastando, de pé, gelado e suando, com o braço molhado na cerveja... – DOIS TIROS! – Agora também respingado do sangue do barman. – Logo em seguida ele vira na minha direção. – UMA CARGA DE TIROS! – Eu, vôo ao chão, de baixo duma mesa, entre as cadeiras, tentando me proteger do fim do mundo. Outro cara no fundo do bar tinha sacado uma pistola e estavam os dois destruindo o local...
Lembro até hoje a música que tocava enquanto tudo ia pelos ares. – Literalmente pelos ares... – Era “Whitesnake, looking for love”. Quando terminaram o forasteiro se foi. – Não me notou ali abaixo do chão... segurando aquele copo de cerveja. E lhe digo camarada... daquele dia miserável sabia que teria o meu próprio bar... ter para esperar pelo forasteiro que estourou aquela merda abaixo ao som de Whitesnake. Que matou o barman na minha frente, e não me matou. – Para esperar por dias como aquele, onde coisas estranhas e inexplicáveis acontecem ao som de uma balada de rock.
Assinar:
Postagens (Atom)
.jpg)