quinta-feira, dezembro 18

8.

22 de dezembro, tínhamos saído, fazíamos 5 meses de namoro naquele dia... Marian perguntou se eu a amava. - Bem, de longe era o relacionamento mais duradouro que tive... minha média era estritamente de 1 ou 2 meses, então respondi que “sim”. Ela sorriu, talvez um dos mais belos sorrisos que já tirei dela foi ali, naquele momento. - Marian era jovem, tinha uma pele branca e firme... era descendente pura de belgas e carregava um cabelo de mechas compridas e loiras que eu adorava cheirar. - Então segui no momento com algo peculiar:
Mari... como você se sente em meus braços?
Bem. - Ela respondeu ainda me olhando; tínhamos parado de caminhar e eu segurava a mão dela... tinha o costume de fazer perguntas para saber as coisas que passavam pela sua cabeça, mas tinha algo a mais nesta...
Por que?
Como assim? - Ela perguntou sem compreender onde eu queria chegar com isto.
Por que você se sente bem comigo?
Ela riu desta pergunta, singelamente mas riu...
Eu não sei, simplesmente gosto de estar com você... gosto de saber que você é meu apesar de tudo. - Ela deixou uma pausa e prosseguiu: _ Gosto de saber por exemplo, que a Laura me inveja por isto.
Ela te inveja é... [?]
Sim. - Falou rindo e continuamos a andar...
[...]
Você sabe que um dia vai crescer, não é Marian... sabe que um dia vai querer a ter a sua liberdade...
Não fala essas coisas Alex...
Fato é que ela odiava quando eu tocava neste assunto, concordo que talvez não fosse o momento, mas era necessário.
É fato Marian, um dia você vai querer experimentar o mundo. [...] Eu só quero que você tenha a consciência de que para mim estará 'ok'... não acharia certo prender você a mim.
E se eu quiser me prender a você?
Você precisa de um homem... não de mim.
E se você for esse homem?
Aí eu não vou ter opção senão aceitar... você sabe. - E sorri para ela ao fim de tudo. Estávamos quase chegando ao meu trabalho então continuamos andando de mãos dadas...
Tinha consciência de que eu não era um homem sério. Estava mais para uma imagem distorcida, um espelho torto refletindo o mundo... sabia disto e mentia para ela. Mas não queria falar nisto e também não queria pensar nisto. Talvez se não vivesse sobre as mentiras a faria chorar... podia estar errado, mas se estivesse certo... também mentia para mim. Era um contrato que tinha em segredo comigo mesmo, não queria ver o meu coração quebrado feito vidro... então não quebraria o dela. E no fundo a verdade é que não gostava dela, não gostava da minha vida, preferia a dúvida diante de tantas certezas... mas segurava-me. - Também sabia que tinham muito mais coisas além mar... e lembrava disto toda vez que estava na gruta... era quando minha hybris se aflorava novamente, e agora estávamos chegando nela.