Havia ficado puto quando voltou ao bar o merda daquele dia! – Eram umas 9 ou 10 horas, e poucas horas tinham se passado até aquele verme voltar. Geralmente não despejo ninguém, mas a ele joguei para fora no instante em que ingressou. – Voltando ao balcão coloquei uma nota das mais amassadas no disk player, era uma daquelas que ficam no bar como gorjeta; costumo dizer que “o que está no balcão é dor barman”... na maquina escolhi “Simple man” e retornei ao balcão a tempo de salvar uma das garrafas de ser estuprada pelas mãos de um cara que estava ali. – Olhei para ele e exclamei...
_ Não toca nessa merda! – E continuei: _ Só eu tenho o direito de tocar nas garrafas aqui... porra!
O cara deu um salto para trás com a mão recolhida. Não era um dos habituais, por isto não sabia muito sobre as regras da casa. – Naquele momento, contabilizando elas nos dedos, comecei a explicar:
_ Escuta aqui ‘seu merda’... primeiro, não faço caridade; não quero saber quem você é, o que tem nem o que ocorreu na sua vida; “ninguém bebe aqui de graça”... segundo, não quero fazer amigos... terceiro, se quiser algo “peça!”, nunca toque em nada que eu não lhe der para tocar... e quarto e o mais importante, não arranje confusão por aqui se não o jogo porta a fora.
Ele ainda me olhava imaginando que eu fosse o tipo de cara que faz essa cena para amedrontar e ganhar respeito... um tipo metido a mau para evitar que o seu bar fosse roubado. Se passasse um tempo por aqui iria começar a tentar evitar que eu o jogasse porta a fora, ou desistiria de vir neste lugar. – Fato é que eu era um suicida e a minha mente estava poluída. Atrás do balcão tinha uma ‘calibre 38’ esperando para tocar fogo no lugar... mas num momento estava eu ainda lá pensando nela. Gostei daquele jeito simples de ser... lembrava-me alguém. – Lembrava-me “Marian”... minha namorada aos vinte anos, na época onde ainda cursava Direito e morava com minha família. – É com certeza era de Marian; ela era jovem... tinha pouco mais de quatorze anos na época.
quarta-feira, dezembro 10
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