Quinta-feira, 5 de junho de 1996. – Era início de turno, um dia normal, pelo menos para mim... lá fora, havia dois dias que “Boris Ieltsin” fora reeleito presidente da Rússia, e também, faziam 50 anos da invenção do biquíni. – “Hum... por alguma razão eu ainda gostava mais do Ieltsin”. – Talvez fosse o fato d’eu me agradar daquele bêbado dirigindo um país; era um modo ébrio de sucesso... realmente não sei o porquê gostava mais dele no momento, talvez fosse o gosto pela ‘Stolichnaya’... ou talvez, apenas, por que eu odeie praia. – Digo, biquínis também alegram meu dia, são lindos num belo corpo, nunca vivi num mundo sem eles, e não gostaria de imaginar algo assim; mas odeio areia melando o corpo, além de não poder pegar sol sem correr o risco de sair “no tom do comunismo”. Tem outra coisa, para ir á praia tem que acordar cedo, e geralmente ‘cedo’, é o horário que estou indo dormir. – Então “biquínis ou Ieltsin?”, bem, quanto à “Stolichnaya ou belos corpos” saberia a resposta... mas com ‘biquínis ou Ieltsin’ era realmente difícil. Até por que gostava de ver aquele velho bêbado dançar...
Bem, o fato é que sem a resposta aquele dia esmaecia sobre aquele balcão, havia poucos clientes, mas um em especial... – Não sei bem quando tinha ingressado no grupo dos clientes habituais, não sei ao certo nem quando começou a freqüentar aqui; no começo parecia um homem certo, dedicado a sua família ou algo do gênero. Depois, começou a chegar sempre, no fim do expediente das empresas sérias, vinha tomar algumas cervejas... nada demais. Um cara banal... mas fora isto só até aquele dia.
Era quase quatro horas quando chegou, olhou-me, sentou próximo no balcão; trazia consigo uma bíblia que na hora não notei, a dispôs sobre a madeira pouco antes d’eu perguntar o que queria para beber... e me falou:
_ Nada, vim para lhe salvar...
Eu não havia compreendido, na verdade poucas palavras devem ser trocadas entre o barman e os clientes; mas outra hora explico isto. – Ainda sem compreender, enxugava um copo e me aproximei... na penumbra do bar, no seu ambiente corriqueiro às vezes ouve-se coisas distorcidas, às vezes, não ouve-se nada. – Próximo a ele perguntei novamente:
_ Desculpa, o que mesmo vai querer tomar?
_ Você acredita em milagres? – Irrompeu ele.
_ Não! – respondi agora entendendo um pouco do que ocorria...
Aquele desgraçado havia encontrado Jesus em algum outro lugar pior que este, e agora, tentava trazer um pouco dele para mim... então continuei:
_ Acredito em mágicas... – E ri com o canto dos lábios; meu toque sacana irônico.
_ Não estou falando de mágicas, estou falando de Deus operando a salvação... ele fez por mim, pode fazer por você...
Puta merda... odeio quando fazem isto... Esses merdas vem para cá, bebem, contam suas miseráveis vidas e um dia quando encontram Jesus no seu caminho à sarjeta vem até aqui pensando que farão ‘algo de bom’ ao me salvar. – Não obrigo ninguém a beber, nem peço a estes pobres imbecis para se tornarem alcoólatras... eu apenas provido esse liquido que os vicia. O governo faz coisas piores com as crianças em suas instituições de ensino, mas ninguém liga se ele o faz... Ninguém tenta ‘salvar o Estado’ dos políticos que infestam e apodrecem a sociedade, salvar de quem corrompe e de quem é conivente com a corrupção. “Mas lembram de criticar os erros mais humanos”.
_ Operar o CACETE!!! – Irrompi puto, e continuei - _ O único que tem permissão de operar alguma coisa nesta merda de lugar aqui, sou eu... Só EU porra! [...] Então diz de uma vez, vai querer tomar alguma coisa, ou veio aqui só para torrar o saco?
Neste momento o bar todo nos olhava. – Ele, pegou a bíblia, levantou e foi... dali não o vi por algumas semanas (eles sempre voltam). – Enquanto saía eu pus uma dose da vodka para mim. Stolichnaya. “Ieltsin ficaria feliz...”, ele mandando novamente soberano lá, e eu soberano aqui. E proclamei com o bater da porta: “E que Deus salve os biquínis”. – E todos concordaram com a benção.
segunda-feira, dezembro 1
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