22 de dezembro, tínhamos saído, fazíamos 5 meses de namoro naquele dia... Marian perguntou se eu a amava. - Bem, de longe era o relacionamento mais duradouro que tive... minha média era estritamente de 1 ou 2 meses, então respondi que “sim”. Ela sorriu, talvez um dos mais belos sorrisos que já tirei dela foi ali, naquele momento. - Marian era jovem, tinha uma pele branca e firme... era descendente pura de belgas e carregava um cabelo de mechas compridas e loiras que eu adorava cheirar. - Então segui no momento com algo peculiar:
Mari... como você se sente em meus braços?
Bem. - Ela respondeu ainda me olhando; tínhamos parado de caminhar e eu segurava a mão dela... tinha o costume de fazer perguntas para saber as coisas que passavam pela sua cabeça, mas tinha algo a mais nesta...
Por que?
Como assim? - Ela perguntou sem compreender onde eu queria chegar com isto.
Por que você se sente bem comigo?
Ela riu desta pergunta, singelamente mas riu...
Eu não sei, simplesmente gosto de estar com você... gosto de saber que você é meu apesar de tudo. - Ela deixou uma pausa e prosseguiu: _ Gosto de saber por exemplo, que a Laura me inveja por isto.
Ela te inveja é... [?]
Sim. - Falou rindo e continuamos a andar...
[...]
Você sabe que um dia vai crescer, não é Marian... sabe que um dia vai querer a ter a sua liberdade...
Não fala essas coisas Alex...
Fato é que ela odiava quando eu tocava neste assunto, concordo que talvez não fosse o momento, mas era necessário.
É fato Marian, um dia você vai querer experimentar o mundo. [...] Eu só quero que você tenha a consciência de que para mim estará 'ok'... não acharia certo prender você a mim.
E se eu quiser me prender a você?
Você precisa de um homem... não de mim.
E se você for esse homem?
Aí eu não vou ter opção senão aceitar... você sabe. - E sorri para ela ao fim de tudo. Estávamos quase chegando ao meu trabalho então continuamos andando de mãos dadas...
Tinha consciência de que eu não era um homem sério. Estava mais para uma imagem distorcida, um espelho torto refletindo o mundo... sabia disto e mentia para ela. Mas não queria falar nisto e também não queria pensar nisto. Talvez se não vivesse sobre as mentiras a faria chorar... podia estar errado, mas se estivesse certo... também mentia para mim. Era um contrato que tinha em segredo comigo mesmo, não queria ver o meu coração quebrado feito vidro... então não quebraria o dela. E no fundo a verdade é que não gostava dela, não gostava da minha vida, preferia a dúvida diante de tantas certezas... mas segurava-me. - Também sabia que tinham muito mais coisas além mar... e lembrava disto toda vez que estava na gruta... era quando minha hybris se aflorava novamente, e agora estávamos chegando nela.
quinta-feira, dezembro 18
terça-feira, dezembro 16
7.
Desde que assumi o lugar muitas coisas mudaram... – Lógico, ainda continuava num espaço mínimo, e sabia que 'caras presos' usufruíam de mais espaço que eu tinha ali. Mas não ligava para tal fato, na verdade gostava, pois usava como desculpa para passar mais tempo fora do que dentro “da gruta”. – Havia tirado aquele liquidificador e estava usando a tomada para colocar um som com alguns vinis que deixava no chão da gruta... as caixas ficavam do lado de fora, apontadas para as cadeiras e mesas que tinha a beira mar. Tinha ainda reformado a tabela de drinks e os preços caíram 20%... de algum modo eu sabia ainda trazer lucro assim. – Fiz uma lista no primeiro dia com coisas que o Rafael deveria comprar para evitar a falência, uns materiais de bar, umas garrafas de bebida, umas frutas frescas (pois não faria drinks com aquelas coisas industrializadas que o gordo usava), mas o mais importante, uma ‘coqueteleira Michael Graves’ que depois eu roubaria dele.
Já no primeiro dia de trabalho decidi que teria que formar uma personalidade... algo para entreter a clientela. Então, decidi pelo figurino, jeans azul tradicional, camisa preta para dentro da calça, as mangas dobradas, sapato e cinto preto, relógio, uma corrente de prata e os óculos de sol... um modelo da “Rayban” com lente de cristal, redondo, raríssimo que levei alguns anos para encontrar. – Eu tinha uma personalidade condizente com o emprego, e um emprego condizente com o meu estilo de vida... - Confesso: “Não gosto de 'trabalho honesto'...” - Nunca tinha realizado por algum tempo condizente para se dizer isto, mas sabia com a certeza de que nunca chegaria próximo a realizar algum na minha vida. - “Por isto tinha ingressado na faculdade”. - Tinha a certeza de que um pouco de estudo livraria-te de ter que realizar um trabalho duro, árduo e sério na vida... mas o tempo passou e já não tinha esta 'certeza' em mente. Sabia que mesmo depois da graduação ainda teria algum trabalho a fazer, se não muito... e isto me desestimulava a continuar.
Bem, estava cursando o meu último ano na faculdade de Direito. Eu tinha adiantado bastante coisa cursando os dois turnos simultaneamente, terminaria com pouco mais da metade do tempo natural de curso... uma façanha que pode enganar muitas pessoas, e a esse passo como eu já devia ter informado a você, talvez até antes do presente momento, “eu não sou a pessoa mais correta”. - Sou amante dos excessos, e apesar de estar fazendo Direito em 3 anos, sou completamente relapso com o curso. Como dizia, sou amante dos vícios e cultivo meus vícios sobre o olhar dos excessos... sobre isto repito “Lincoln” e “William Blake”:
“As pessoas sem vícios tem poucas virtudes...”.
“A estrada do excesso conduz ao palácio da sabedoria...”.
Então, além do cachorro de sandices amarrado a minha mente... tinha esse belo problema com mulheres ,jogo e bebida. - E segundo algumas pessoas próximas a mim na época, a ordem refletia a minha preferencia; eram os meus três vícios preferidos, e a minha razão... apenas eu que não percebia.
[...]
Então estava eu lá, 1983 chegando ao fim... dezembro passava rápido pela janela e eu pela primeira vez atrás do balcão de um bar servindo “merdas liquidas” com nomes tropicais. Tinha uma idéia do que fazia, mas não sabia fazer... - Trabalhava das 6h as 2h, mas sempre fazia umas horas extras por minha conta; enquanto Rafael dormia eu tirava boas gorjetas... com o tempo comecei até a declarar menos do que vendia durante a noite... e logo estaria substituindo as garrafas deles por minhas e não declarando mais nada. O lucro era garantido, tanto para mim quanto para ele. Chegava sempre acompanhado de Marian e saia com alguma conquista momentânea no fim da noite. - Era fato, vendia sorrisos para mulheres casadas e desquitadas, deitava-as ardentes em suas camas enquanto a minha namorada estava em casa dormindo sob o colchão. - Era claro que Marian sabia que eu a traia, tão claro como amanhecer de ressaca na areia da praia... se não fosse, não teria como 'não desconfiar'. Imagino que ela simplesmente aceitava a situação, até pelo fato de que eu precisava de sexo e ela não podia me proporcionar... e creio que gostava demais de mim para me largar.
Já no primeiro dia de trabalho decidi que teria que formar uma personalidade... algo para entreter a clientela. Então, decidi pelo figurino, jeans azul tradicional, camisa preta para dentro da calça, as mangas dobradas, sapato e cinto preto, relógio, uma corrente de prata e os óculos de sol... um modelo da “Rayban” com lente de cristal, redondo, raríssimo que levei alguns anos para encontrar. – Eu tinha uma personalidade condizente com o emprego, e um emprego condizente com o meu estilo de vida... - Confesso: “Não gosto de 'trabalho honesto'...” - Nunca tinha realizado por algum tempo condizente para se dizer isto, mas sabia com a certeza de que nunca chegaria próximo a realizar algum na minha vida. - “Por isto tinha ingressado na faculdade”. - Tinha a certeza de que um pouco de estudo livraria-te de ter que realizar um trabalho duro, árduo e sério na vida... mas o tempo passou e já não tinha esta 'certeza' em mente. Sabia que mesmo depois da graduação ainda teria algum trabalho a fazer, se não muito... e isto me desestimulava a continuar.
Bem, estava cursando o meu último ano na faculdade de Direito. Eu tinha adiantado bastante coisa cursando os dois turnos simultaneamente, terminaria com pouco mais da metade do tempo natural de curso... uma façanha que pode enganar muitas pessoas, e a esse passo como eu já devia ter informado a você, talvez até antes do presente momento, “eu não sou a pessoa mais correta”. - Sou amante dos excessos, e apesar de estar fazendo Direito em 3 anos, sou completamente relapso com o curso. Como dizia, sou amante dos vícios e cultivo meus vícios sobre o olhar dos excessos... sobre isto repito “Lincoln” e “William Blake”:
“As pessoas sem vícios tem poucas virtudes...”.
“A estrada do excesso conduz ao palácio da sabedoria...”.
Então, além do cachorro de sandices amarrado a minha mente... tinha esse belo problema com mulheres ,jogo e bebida. - E segundo algumas pessoas próximas a mim na época, a ordem refletia a minha preferencia; eram os meus três vícios preferidos, e a minha razão... apenas eu que não percebia.
[...]
Então estava eu lá, 1983 chegando ao fim... dezembro passava rápido pela janela e eu pela primeira vez atrás do balcão de um bar servindo “merdas liquidas” com nomes tropicais. Tinha uma idéia do que fazia, mas não sabia fazer... - Trabalhava das 6h as 2h, mas sempre fazia umas horas extras por minha conta; enquanto Rafael dormia eu tirava boas gorjetas... com o tempo comecei até a declarar menos do que vendia durante a noite... e logo estaria substituindo as garrafas deles por minhas e não declarando mais nada. O lucro era garantido, tanto para mim quanto para ele. Chegava sempre acompanhado de Marian e saia com alguma conquista momentânea no fim da noite. - Era fato, vendia sorrisos para mulheres casadas e desquitadas, deitava-as ardentes em suas camas enquanto a minha namorada estava em casa dormindo sob o colchão. - Era claro que Marian sabia que eu a traia, tão claro como amanhecer de ressaca na areia da praia... se não fosse, não teria como 'não desconfiar'. Imagino que ela simplesmente aceitava a situação, até pelo fato de que eu precisava de sexo e ela não podia me proporcionar... e creio que gostava demais de mim para me largar.
quarta-feira, dezembro 10
6.
O “La gruta” era na verdade um espaço de 1x2 metros onde se encaixavam as bebidas e eu. Era um protótipo de quiosque de praia que vendia drinks ruins a preços exorbitantes até eu chegar... mas não vou atravessar a história.
Quando cheguei pela primeira vez, a convite de Rafael, meu amigo e dono do lugar, estranhei o Barman gordo que ele havia colocado para misturar os drinks num liquidificador equilibrado num dos cantos. – Rafael me ofereceu um drink por conta da casa para depois me perguntar o que eu achava de tudo aquilo... não sei se foi a minha sinceridade, fato é que eu compreendia do assunto, embora nunca havia trabalhado realmente com ele. – Bebidas eram o meu forte, adorava ficar bêbado, adorava mais ainda deixar os outros bêbados. Tinha me dado o titulo honorário de barman... parte pelo tanto consumia de álcool, parte por que tornou-se de um hoby à uma obsessão que eu levava as festas e servia aos convidados. – Agora, lá estava eu, frente a frente com meu amigo, tomando uma “merda tropical” batida no liquidificador e tentando explicar para ele de um assunto com o qual eu nunca tinha trabalhado, talvez, um assunto do qual mal conhecia... mas ainda sabia de algo, sabia mais disto do que o “barmerda” que ele tinha lá... – Falei então num tom sério.
_ Olha cara, vou ser sincero... você vai quebrar!
_ Como? – Ele perguntou um pouco assustado com a franqueza... e continuou: _ Eu tenho um ponto bom...
_ Você tem um ponto bom, realmente. – e segui após uma pausa de meio tempo: _ Mas você não tem uma “aura” boa nesse lugar.
Ele não compreendeu o que eu quis dizer, pensou que eu brincava como de costume... – Eu, queria de fato explicar para ele que tinha tantas coisas ocorrendo errado que afastaria qualquer possibilidade de negócio antes mesmo dela existir.
_ Não estou falando daquelas besteiras espirituais... estou falando de uma “essência”, um “cheirinho de diversão” que atraia as pessoas.
[...[
_ Olha, você tem um bom ponto, mas veja os preços... são tão altos que desestimulam qualquer um que queira tomar algo. E tem também o fator do barman...
_ “O que tem o barman?” – Ele falou tão alto que notei o cara me olhando com aquele olhar de “se falar merda, eu vou descontar em você filho da puta”.
_ O cara é gordo por deus do céu! – E tem mais... como você me contrata um cara que faz todos os drinks no liquidificador... será que o ‘elefantinho’ aí não sabe usar uma coqueteleira? – Essa ultima parte falei bem alto para que ele escutasse...
O cara ficou puto, na hora saiu de trás do balcãozinho, secou as mãos e veio até mim com o seu avental e a bandana que escondia a cabeça raspada e falou:
_ Faz melhor seu merda!
_ Faço! – Retruquei olhando firme nos olhos dele...
Quando notei já havia saído da cadeira e estava atrás do balcão usando dois copos de plástico como coqueteleira, misturando uma parte de vodka a duas de leite de coco e adoçando com leite condensado... Fazia uma batida simples, adicionava bastante gelo, batido na toalha, quebrado em pequenos pedaços como se picado na minha coqueteleira improvisada... bati algumas vezes o drink nela sem que espirrasse nada pelo encaixe e coei para dois copos. Um para o Rafael, outro para o meu desafiante. – Ambos degustaram o drink, com expressões diferentes... talvez para o segundo ele fosse mais amargo. Era o gosto da habilidade, e eu tinha. – O Rafael só olhara para mim, já sabia o que tinha que fazer... demitiu o cara e perguntou se quando eu poderia assumir o lugar. E num riso respondi:
_ Hoje, desde que não tenha que usar nem o avental nem a bandana...
Quando cheguei pela primeira vez, a convite de Rafael, meu amigo e dono do lugar, estranhei o Barman gordo que ele havia colocado para misturar os drinks num liquidificador equilibrado num dos cantos. – Rafael me ofereceu um drink por conta da casa para depois me perguntar o que eu achava de tudo aquilo... não sei se foi a minha sinceridade, fato é que eu compreendia do assunto, embora nunca havia trabalhado realmente com ele. – Bebidas eram o meu forte, adorava ficar bêbado, adorava mais ainda deixar os outros bêbados. Tinha me dado o titulo honorário de barman... parte pelo tanto consumia de álcool, parte por que tornou-se de um hoby à uma obsessão que eu levava as festas e servia aos convidados. – Agora, lá estava eu, frente a frente com meu amigo, tomando uma “merda tropical” batida no liquidificador e tentando explicar para ele de um assunto com o qual eu nunca tinha trabalhado, talvez, um assunto do qual mal conhecia... mas ainda sabia de algo, sabia mais disto do que o “barmerda” que ele tinha lá... – Falei então num tom sério.
_ Olha cara, vou ser sincero... você vai quebrar!
_ Como? – Ele perguntou um pouco assustado com a franqueza... e continuou: _ Eu tenho um ponto bom...
_ Você tem um ponto bom, realmente. – e segui após uma pausa de meio tempo: _ Mas você não tem uma “aura” boa nesse lugar.
Ele não compreendeu o que eu quis dizer, pensou que eu brincava como de costume... – Eu, queria de fato explicar para ele que tinha tantas coisas ocorrendo errado que afastaria qualquer possibilidade de negócio antes mesmo dela existir.
_ Não estou falando daquelas besteiras espirituais... estou falando de uma “essência”, um “cheirinho de diversão” que atraia as pessoas.
[...[
_ Olha, você tem um bom ponto, mas veja os preços... são tão altos que desestimulam qualquer um que queira tomar algo. E tem também o fator do barman...
_ “O que tem o barman?” – Ele falou tão alto que notei o cara me olhando com aquele olhar de “se falar merda, eu vou descontar em você filho da puta”.
_ O cara é gordo por deus do céu! – E tem mais... como você me contrata um cara que faz todos os drinks no liquidificador... será que o ‘elefantinho’ aí não sabe usar uma coqueteleira? – Essa ultima parte falei bem alto para que ele escutasse...
O cara ficou puto, na hora saiu de trás do balcãozinho, secou as mãos e veio até mim com o seu avental e a bandana que escondia a cabeça raspada e falou:
_ Faz melhor seu merda!
_ Faço! – Retruquei olhando firme nos olhos dele...
Quando notei já havia saído da cadeira e estava atrás do balcão usando dois copos de plástico como coqueteleira, misturando uma parte de vodka a duas de leite de coco e adoçando com leite condensado... Fazia uma batida simples, adicionava bastante gelo, batido na toalha, quebrado em pequenos pedaços como se picado na minha coqueteleira improvisada... bati algumas vezes o drink nela sem que espirrasse nada pelo encaixe e coei para dois copos. Um para o Rafael, outro para o meu desafiante. – Ambos degustaram o drink, com expressões diferentes... talvez para o segundo ele fosse mais amargo. Era o gosto da habilidade, e eu tinha. – O Rafael só olhara para mim, já sabia o que tinha que fazer... demitiu o cara e perguntou se quando eu poderia assumir o lugar. E num riso respondi:
_ Hoje, desde que não tenha que usar nem o avental nem a bandana...
5.
Era dezembro de 1983 e em poucos meses ela faria aniversário... me lembro bem agora. A conheci por intermédio de uma amiga, Laura, que sempre tivera uma queda por mim. – Eu e Laura já tínhamos saído algumas vezes, mas apesar da beleza, ela não chamava a minha atenção... tinha olhos verdes, cabelos loiros, seios fartos... era comum, não exalava o cheiro de mulher que me deixava doido... o cheiro que Marian exalou. – Conhecera e já saímos, sabia que pela idade em inúmeros paises seria preso, noutros tantos seria considerado estupro, em alguns, executado. Não ligava, queria me arriscar naquele corpo de menina. – Era bela de seu jeito, pequena, cabelos claros ao sol, pele branca, piercing no nariz... seria comum, mas Marian tinha um sorriso que vi em poucas bocas... e como ria das coisas que eu falava. Isto me fazia bem. – Na época “eu” não era o mesmo de agora.
Como havia dito, era 1983, eu tinha vinte anos, cursava Direito... estava infeliz. Era como um cachorro doido amarrado à coleira, mordia e rosnava, estava preso. “Coisas fazem isto com coisas”... faculdade e família faziam à mim. Tinha uma boa educação, tinha senso critico, tinha futuro... e tinha aquela “hybris” na mente, algo que dizia para mim perseguir os Deuses. – Sim, eu já era ateu antes de tudo isto acontecer. Fato, é que eu também era um quarto de psicoses esperando ser aberto e explodir. Tudo me indicava como isto... como um suicida em potencial, como um psicopata ou um sociopata caótico. Tinha a “genética” para isto... alguns poderiam dizer dom, eu sabia de que se tratava realmente. E o cachorro foi insane uivando enquanto eu sentia que me faltava algo... enquanto sentia que as coisas me sufocavam, que as moralidades e responsabilidades de uma vida em sociedade me seriam demais e me forçariam a estourar os miolos um dia... – “De que adiantaria conhecer Marx, Hegel, Rousseau se a terra iria comer esta carne podre um dia?”, “que vantagens teria neste tipo de existência?”, queria espaço para os prazeres, queria espaço para o que hoje chamam de “Hedonismo”... então... “niilista por um instante, e pelo resto o que mais pudesse ser; se sobrevivesse para ser”. Eu sempre olhava ao mar na esperança de um dia estar embarcado sem destino, sem relação com os outros, sem limites, “sem leis” ou normas sociais. – Está era minha hybris... minha ganância que derrubaria os deuses e faria eles ansiarem por mim. – Queria experimentar o mundo sem ter que cultivar laços, sem dividir nada com alguém ou ao menos ter que ocupar um espaço nesta existência pífia e cujas previdências se fazem arroios à vida. – “De que valeria uma longa existência em pura agonia, se poderia ter uma curta afogada em prazeres?” – Assim, também sabia que minha expectativa de vida cairia com a liberdade de viver o hoje sem escolher o dia de amanhã... e metade desta expectativa já tinha se esvaído...
Mas, voltando um pouco mais na minha história, havia conhecido Marian. – Estávamos namorando quando dezembro bateu a porta. Eu, ainda mordia a coleira... com ela ao meu lado, talvez menos que o usual... meu cachorro doido se acalmava... ela me fazia bem. – Na época, como universitário só conhecia estágios, escritórios, papel e teoria sobre a vida... nada mais. A faculdade tinha entrado em época de férias e eu procurara emprego até cair no “La gruta”...
Como havia dito, era 1983, eu tinha vinte anos, cursava Direito... estava infeliz. Era como um cachorro doido amarrado à coleira, mordia e rosnava, estava preso. “Coisas fazem isto com coisas”... faculdade e família faziam à mim. Tinha uma boa educação, tinha senso critico, tinha futuro... e tinha aquela “hybris” na mente, algo que dizia para mim perseguir os Deuses. – Sim, eu já era ateu antes de tudo isto acontecer. Fato, é que eu também era um quarto de psicoses esperando ser aberto e explodir. Tudo me indicava como isto... como um suicida em potencial, como um psicopata ou um sociopata caótico. Tinha a “genética” para isto... alguns poderiam dizer dom, eu sabia de que se tratava realmente. E o cachorro foi insane uivando enquanto eu sentia que me faltava algo... enquanto sentia que as coisas me sufocavam, que as moralidades e responsabilidades de uma vida em sociedade me seriam demais e me forçariam a estourar os miolos um dia... – “De que adiantaria conhecer Marx, Hegel, Rousseau se a terra iria comer esta carne podre um dia?”, “que vantagens teria neste tipo de existência?”, queria espaço para os prazeres, queria espaço para o que hoje chamam de “Hedonismo”... então... “niilista por um instante, e pelo resto o que mais pudesse ser; se sobrevivesse para ser”. Eu sempre olhava ao mar na esperança de um dia estar embarcado sem destino, sem relação com os outros, sem limites, “sem leis” ou normas sociais. – Está era minha hybris... minha ganância que derrubaria os deuses e faria eles ansiarem por mim. – Queria experimentar o mundo sem ter que cultivar laços, sem dividir nada com alguém ou ao menos ter que ocupar um espaço nesta existência pífia e cujas previdências se fazem arroios à vida. – “De que valeria uma longa existência em pura agonia, se poderia ter uma curta afogada em prazeres?” – Assim, também sabia que minha expectativa de vida cairia com a liberdade de viver o hoje sem escolher o dia de amanhã... e metade desta expectativa já tinha se esvaído...
Mas, voltando um pouco mais na minha história, havia conhecido Marian. – Estávamos namorando quando dezembro bateu a porta. Eu, ainda mordia a coleira... com ela ao meu lado, talvez menos que o usual... meu cachorro doido se acalmava... ela me fazia bem. – Na época, como universitário só conhecia estágios, escritórios, papel e teoria sobre a vida... nada mais. A faculdade tinha entrado em época de férias e eu procurara emprego até cair no “La gruta”...
4.
Havia ficado puto quando voltou ao bar o merda daquele dia! – Eram umas 9 ou 10 horas, e poucas horas tinham se passado até aquele verme voltar. Geralmente não despejo ninguém, mas a ele joguei para fora no instante em que ingressou. – Voltando ao balcão coloquei uma nota das mais amassadas no disk player, era uma daquelas que ficam no bar como gorjeta; costumo dizer que “o que está no balcão é dor barman”... na maquina escolhi “Simple man” e retornei ao balcão a tempo de salvar uma das garrafas de ser estuprada pelas mãos de um cara que estava ali. – Olhei para ele e exclamei...
_ Não toca nessa merda! – E continuei: _ Só eu tenho o direito de tocar nas garrafas aqui... porra!
O cara deu um salto para trás com a mão recolhida. Não era um dos habituais, por isto não sabia muito sobre as regras da casa. – Naquele momento, contabilizando elas nos dedos, comecei a explicar:
_ Escuta aqui ‘seu merda’... primeiro, não faço caridade; não quero saber quem você é, o que tem nem o que ocorreu na sua vida; “ninguém bebe aqui de graça”... segundo, não quero fazer amigos... terceiro, se quiser algo “peça!”, nunca toque em nada que eu não lhe der para tocar... e quarto e o mais importante, não arranje confusão por aqui se não o jogo porta a fora.
Ele ainda me olhava imaginando que eu fosse o tipo de cara que faz essa cena para amedrontar e ganhar respeito... um tipo metido a mau para evitar que o seu bar fosse roubado. Se passasse um tempo por aqui iria começar a tentar evitar que eu o jogasse porta a fora, ou desistiria de vir neste lugar. – Fato é que eu era um suicida e a minha mente estava poluída. Atrás do balcão tinha uma ‘calibre 38’ esperando para tocar fogo no lugar... mas num momento estava eu ainda lá pensando nela. Gostei daquele jeito simples de ser... lembrava-me alguém. – Lembrava-me “Marian”... minha namorada aos vinte anos, na época onde ainda cursava Direito e morava com minha família. – É com certeza era de Marian; ela era jovem... tinha pouco mais de quatorze anos na época.
_ Não toca nessa merda! – E continuei: _ Só eu tenho o direito de tocar nas garrafas aqui... porra!
O cara deu um salto para trás com a mão recolhida. Não era um dos habituais, por isto não sabia muito sobre as regras da casa. – Naquele momento, contabilizando elas nos dedos, comecei a explicar:
_ Escuta aqui ‘seu merda’... primeiro, não faço caridade; não quero saber quem você é, o que tem nem o que ocorreu na sua vida; “ninguém bebe aqui de graça”... segundo, não quero fazer amigos... terceiro, se quiser algo “peça!”, nunca toque em nada que eu não lhe der para tocar... e quarto e o mais importante, não arranje confusão por aqui se não o jogo porta a fora.
Ele ainda me olhava imaginando que eu fosse o tipo de cara que faz essa cena para amedrontar e ganhar respeito... um tipo metido a mau para evitar que o seu bar fosse roubado. Se passasse um tempo por aqui iria começar a tentar evitar que eu o jogasse porta a fora, ou desistiria de vir neste lugar. – Fato é que eu era um suicida e a minha mente estava poluída. Atrás do balcão tinha uma ‘calibre 38’ esperando para tocar fogo no lugar... mas num momento estava eu ainda lá pensando nela. Gostei daquele jeito simples de ser... lembrava-me alguém. – Lembrava-me “Marian”... minha namorada aos vinte anos, na época onde ainda cursava Direito e morava com minha família. – É com certeza era de Marian; ela era jovem... tinha pouco mais de quatorze anos na época.
quinta-feira, dezembro 4
3.
Passaram-se algumas horas desde o incidente entre Ieltsin e Deus... – Como dizia... “não devem ser trocadas muitas palavras entre o barman e seus clientes”. – No Fly três pessoas (comigo na contagem), mas logo os habituais começariam a chegar. Não tinha relógio na parede, pois os clientes saberiam a hora de ir, então olhei do pulso à porta e agora se via o sol das seis horas, era o fim da tarde em meio aos prédios, e mais belo que ao mar talvez. No fundo do balcão, próximo ao banheiro, um corretor de imóveis divorciado; à frente das torneiras de cerveja um outro rato de bar pouco ébrio para compartilhar a sua história. – Não que me importasse, como havia dito, devia me limitar às atitudes da função; falar pouco, limitar-se a alguns sorrisos, sim’s e não’s. Um barman já falaria demais ao perguntar... “o Martini deve ser batido ou mexido?”.
Servia uma cerveja ao corretor; era uma cerveja artesanal de malte e trigo, clara, gelada. No diskplayer tocava uma balada acústica do “U2”, acho que era “One”, quando ela entrou... – Cabelos curtos, castanhos claros, óculos, pele branca, usava um avental de algum lugar... foi quando se aproximou que percebi, era uma das meninas que trabalhavam na padaria que tinha aqui próximo, na esquina. Tinha um belo rosto mesmo. “Prosper Mérimée” havia dito que uma mulher na Espanha para ser considerada bela teria de ter “trinta de si”... ela com certeza teria trinta de si, pois hoje pude compreender o que quis dizer ele em “Carmem” – Havia aproximado do balcão com uma nota de 50 pratas... queria trocados em notas de 10, e eu estava cheio de trocados, mas não havia falado nada até que ela comentou:
_ Que belo lugar você tem aqui, não?
A musica ainda me entorpecia... eu retirara as notas da caixa, contava o dinheiro, quando notei estava com a minha mão sobre a dela, dava o troco, mas ainda olhava a mão dela. Eram tão brancas, e ela me olhava quando lembrei de responder:
_ Podia ser melhor... mas não reclamo.
Sorri ao fim disto... ela riu também, agradeceu e seguiu... foi pela mesma porta que entrou. – Os dois observadores que nos rodeavam talvez perceberam que havia falado mais do que fizera com qualquer um ali em muito tempo. – O bar é um local, digo, em sua maioria, de observadores solitários. Há quem venha para procurar companhia, salvar suas magoas ou afogá-las num copo. Mas o bar é estritamente um nicho psicológico que te ensina muito sobre a humanidade, te ensina ainda mais se o foco for às relações sociais e padrões de resposta às situações em que se envolvem... – Eu, fiquei ali. Pouco se passara das 16 horas a música ainda me preenchia e logo os clientes iriam chegar...
Servia uma cerveja ao corretor; era uma cerveja artesanal de malte e trigo, clara, gelada. No diskplayer tocava uma balada acústica do “U2”, acho que era “One”, quando ela entrou... – Cabelos curtos, castanhos claros, óculos, pele branca, usava um avental de algum lugar... foi quando se aproximou que percebi, era uma das meninas que trabalhavam na padaria que tinha aqui próximo, na esquina. Tinha um belo rosto mesmo. “Prosper Mérimée” havia dito que uma mulher na Espanha para ser considerada bela teria de ter “trinta de si”... ela com certeza teria trinta de si, pois hoje pude compreender o que quis dizer ele em “Carmem” – Havia aproximado do balcão com uma nota de 50 pratas... queria trocados em notas de 10, e eu estava cheio de trocados, mas não havia falado nada até que ela comentou:
_ Que belo lugar você tem aqui, não?
A musica ainda me entorpecia... eu retirara as notas da caixa, contava o dinheiro, quando notei estava com a minha mão sobre a dela, dava o troco, mas ainda olhava a mão dela. Eram tão brancas, e ela me olhava quando lembrei de responder:
_ Podia ser melhor... mas não reclamo.
Sorri ao fim disto... ela riu também, agradeceu e seguiu... foi pela mesma porta que entrou. – Os dois observadores que nos rodeavam talvez perceberam que havia falado mais do que fizera com qualquer um ali em muito tempo. – O bar é um local, digo, em sua maioria, de observadores solitários. Há quem venha para procurar companhia, salvar suas magoas ou afogá-las num copo. Mas o bar é estritamente um nicho psicológico que te ensina muito sobre a humanidade, te ensina ainda mais se o foco for às relações sociais e padrões de resposta às situações em que se envolvem... – Eu, fiquei ali. Pouco se passara das 16 horas a música ainda me preenchia e logo os clientes iriam chegar...
segunda-feira, dezembro 1
2.
Quinta-feira, 5 de junho de 1996. – Era início de turno, um dia normal, pelo menos para mim... lá fora, havia dois dias que “Boris Ieltsin” fora reeleito presidente da Rússia, e também, faziam 50 anos da invenção do biquíni. – “Hum... por alguma razão eu ainda gostava mais do Ieltsin”. – Talvez fosse o fato d’eu me agradar daquele bêbado dirigindo um país; era um modo ébrio de sucesso... realmente não sei o porquê gostava mais dele no momento, talvez fosse o gosto pela ‘Stolichnaya’... ou talvez, apenas, por que eu odeie praia. – Digo, biquínis também alegram meu dia, são lindos num belo corpo, nunca vivi num mundo sem eles, e não gostaria de imaginar algo assim; mas odeio areia melando o corpo, além de não poder pegar sol sem correr o risco de sair “no tom do comunismo”. Tem outra coisa, para ir á praia tem que acordar cedo, e geralmente ‘cedo’, é o horário que estou indo dormir. – Então “biquínis ou Ieltsin?”, bem, quanto à “Stolichnaya ou belos corpos” saberia a resposta... mas com ‘biquínis ou Ieltsin’ era realmente difícil. Até por que gostava de ver aquele velho bêbado dançar...
Bem, o fato é que sem a resposta aquele dia esmaecia sobre aquele balcão, havia poucos clientes, mas um em especial... – Não sei bem quando tinha ingressado no grupo dos clientes habituais, não sei ao certo nem quando começou a freqüentar aqui; no começo parecia um homem certo, dedicado a sua família ou algo do gênero. Depois, começou a chegar sempre, no fim do expediente das empresas sérias, vinha tomar algumas cervejas... nada demais. Um cara banal... mas fora isto só até aquele dia.
Era quase quatro horas quando chegou, olhou-me, sentou próximo no balcão; trazia consigo uma bíblia que na hora não notei, a dispôs sobre a madeira pouco antes d’eu perguntar o que queria para beber... e me falou:
_ Nada, vim para lhe salvar...
Eu não havia compreendido, na verdade poucas palavras devem ser trocadas entre o barman e os clientes; mas outra hora explico isto. – Ainda sem compreender, enxugava um copo e me aproximei... na penumbra do bar, no seu ambiente corriqueiro às vezes ouve-se coisas distorcidas, às vezes, não ouve-se nada. – Próximo a ele perguntei novamente:
_ Desculpa, o que mesmo vai querer tomar?
_ Você acredita em milagres? – Irrompeu ele.
_ Não! – respondi agora entendendo um pouco do que ocorria...
Aquele desgraçado havia encontrado Jesus em algum outro lugar pior que este, e agora, tentava trazer um pouco dele para mim... então continuei:
_ Acredito em mágicas... – E ri com o canto dos lábios; meu toque sacana irônico.
_ Não estou falando de mágicas, estou falando de Deus operando a salvação... ele fez por mim, pode fazer por você...
Puta merda... odeio quando fazem isto... Esses merdas vem para cá, bebem, contam suas miseráveis vidas e um dia quando encontram Jesus no seu caminho à sarjeta vem até aqui pensando que farão ‘algo de bom’ ao me salvar. – Não obrigo ninguém a beber, nem peço a estes pobres imbecis para se tornarem alcoólatras... eu apenas provido esse liquido que os vicia. O governo faz coisas piores com as crianças em suas instituições de ensino, mas ninguém liga se ele o faz... Ninguém tenta ‘salvar o Estado’ dos políticos que infestam e apodrecem a sociedade, salvar de quem corrompe e de quem é conivente com a corrupção. “Mas lembram de criticar os erros mais humanos”.
_ Operar o CACETE!!! – Irrompi puto, e continuei - _ O único que tem permissão de operar alguma coisa nesta merda de lugar aqui, sou eu... Só EU porra! [...] Então diz de uma vez, vai querer tomar alguma coisa, ou veio aqui só para torrar o saco?
Neste momento o bar todo nos olhava. – Ele, pegou a bíblia, levantou e foi... dali não o vi por algumas semanas (eles sempre voltam). – Enquanto saía eu pus uma dose da vodka para mim. Stolichnaya. “Ieltsin ficaria feliz...”, ele mandando novamente soberano lá, e eu soberano aqui. E proclamei com o bater da porta: “E que Deus salve os biquínis”. – E todos concordaram com a benção.
Bem, o fato é que sem a resposta aquele dia esmaecia sobre aquele balcão, havia poucos clientes, mas um em especial... – Não sei bem quando tinha ingressado no grupo dos clientes habituais, não sei ao certo nem quando começou a freqüentar aqui; no começo parecia um homem certo, dedicado a sua família ou algo do gênero. Depois, começou a chegar sempre, no fim do expediente das empresas sérias, vinha tomar algumas cervejas... nada demais. Um cara banal... mas fora isto só até aquele dia.
Era quase quatro horas quando chegou, olhou-me, sentou próximo no balcão; trazia consigo uma bíblia que na hora não notei, a dispôs sobre a madeira pouco antes d’eu perguntar o que queria para beber... e me falou:
_ Nada, vim para lhe salvar...
Eu não havia compreendido, na verdade poucas palavras devem ser trocadas entre o barman e os clientes; mas outra hora explico isto. – Ainda sem compreender, enxugava um copo e me aproximei... na penumbra do bar, no seu ambiente corriqueiro às vezes ouve-se coisas distorcidas, às vezes, não ouve-se nada. – Próximo a ele perguntei novamente:
_ Desculpa, o que mesmo vai querer tomar?
_ Você acredita em milagres? – Irrompeu ele.
_ Não! – respondi agora entendendo um pouco do que ocorria...
Aquele desgraçado havia encontrado Jesus em algum outro lugar pior que este, e agora, tentava trazer um pouco dele para mim... então continuei:
_ Acredito em mágicas... – E ri com o canto dos lábios; meu toque sacana irônico.
_ Não estou falando de mágicas, estou falando de Deus operando a salvação... ele fez por mim, pode fazer por você...
Puta merda... odeio quando fazem isto... Esses merdas vem para cá, bebem, contam suas miseráveis vidas e um dia quando encontram Jesus no seu caminho à sarjeta vem até aqui pensando que farão ‘algo de bom’ ao me salvar. – Não obrigo ninguém a beber, nem peço a estes pobres imbecis para se tornarem alcoólatras... eu apenas provido esse liquido que os vicia. O governo faz coisas piores com as crianças em suas instituições de ensino, mas ninguém liga se ele o faz... Ninguém tenta ‘salvar o Estado’ dos políticos que infestam e apodrecem a sociedade, salvar de quem corrompe e de quem é conivente com a corrupção. “Mas lembram de criticar os erros mais humanos”.
_ Operar o CACETE!!! – Irrompi puto, e continuei - _ O único que tem permissão de operar alguma coisa nesta merda de lugar aqui, sou eu... Só EU porra! [...] Então diz de uma vez, vai querer tomar alguma coisa, ou veio aqui só para torrar o saco?
Neste momento o bar todo nos olhava. – Ele, pegou a bíblia, levantou e foi... dali não o vi por algumas semanas (eles sempre voltam). – Enquanto saía eu pus uma dose da vodka para mim. Stolichnaya. “Ieltsin ficaria feliz...”, ele mandando novamente soberano lá, e eu soberano aqui. E proclamei com o bater da porta: “E que Deus salve os biquínis”. – E todos concordaram com a benção.
Assinar:
Postagens (Atom)
.jpg)