quarta-feira, dezembro 10

6.

O “La gruta” era na verdade um espaço de 1x2 metros onde se encaixavam as bebidas e eu. Era um protótipo de quiosque de praia que vendia drinks ruins a preços exorbitantes até eu chegar... mas não vou atravessar a história.
Quando cheguei pela primeira vez, a convite de Rafael, meu amigo e dono do lugar, estranhei o Barman gordo que ele havia colocado para misturar os drinks num liquidificador equilibrado num dos cantos. – Rafael me ofereceu um drink por conta da casa para depois me perguntar o que eu achava de tudo aquilo... não sei se foi a minha sinceridade, fato é que eu compreendia do assunto, embora nunca havia trabalhado realmente com ele. – Bebidas eram o meu forte, adorava ficar bêbado, adorava mais ainda deixar os outros bêbados. Tinha me dado o titulo honorário de barman... parte pelo tanto consumia de álcool, parte por que tornou-se de um hoby à uma obsessão que eu levava as festas e servia aos convidados. – Agora, lá estava eu, frente a frente com meu amigo, tomando uma “merda tropical” batida no liquidificador e tentando explicar para ele de um assunto com o qual eu nunca tinha trabalhado, talvez, um assunto do qual mal conhecia... mas ainda sabia de algo, sabia mais disto do que o “barmerda” que ele tinha lá... – Falei então num tom sério.
_ Olha cara, vou ser sincero... você vai quebrar!
_ Como? – Ele perguntou um pouco assustado com a franqueza... e continuou: _ Eu tenho um ponto bom...
_ Você tem um ponto bom, realmente. – e segui após uma pausa de meio tempo: _ Mas você não tem uma “aura” boa nesse lugar.
Ele não compreendeu o que eu quis dizer, pensou que eu brincava como de costume... – Eu, queria de fato explicar para ele que tinha tantas coisas ocorrendo errado que afastaria qualquer possibilidade de negócio antes mesmo dela existir.
_ Não estou falando daquelas besteiras espirituais... estou falando de uma “essência”, um “cheirinho de diversão” que atraia as pessoas.
[...[
_ Olha, você tem um bom ponto, mas veja os preços... são tão altos que desestimulam qualquer um que queira tomar algo. E tem também o fator do barman...
_ “O que tem o barman?” – Ele falou tão alto que notei o cara me olhando com aquele olhar de “se falar merda, eu vou descontar em você filho da puta”.
_ O cara é gordo por deus do céu! – E tem mais... como você me contrata um cara que faz todos os drinks no liquidificador... será que o ‘elefantinho’ aí não sabe usar uma coqueteleira? – Essa ultima parte falei bem alto para que ele escutasse...
O cara ficou puto, na hora saiu de trás do balcãozinho, secou as mãos e veio até mim com o seu avental e a bandana que escondia a cabeça raspada e falou:
_ Faz melhor seu merda!
_ Faço! – Retruquei olhando firme nos olhos dele...
Quando notei já havia saído da cadeira e estava atrás do balcão usando dois copos de plástico como coqueteleira, misturando uma parte de vodka a duas de leite de coco e adoçando com leite condensado... Fazia uma batida simples, adicionava bastante gelo, batido na toalha, quebrado em pequenos pedaços como se picado na minha coqueteleira improvisada... bati algumas vezes o drink nela sem que espirrasse nada pelo encaixe e coei para dois copos. Um para o Rafael, outro para o meu desafiante. – Ambos degustaram o drink, com expressões diferentes... talvez para o segundo ele fosse mais amargo. Era o gosto da habilidade, e eu tinha. – O Rafael só olhara para mim, já sabia o que tinha que fazer... demitiu o cara e perguntou se quando eu poderia assumir o lugar. E num riso respondi:
_ Hoje, desde que não tenha que usar nem o avental nem a bandana...

Um comentário:

Can disse, Hi, Nara?! disse...

gostei do seu texto
(seria um conto?)
criativo ele..
e também gostei da maneira com que você descrebe cada ação...não sei explicar...

;**
'remmy'
sei la qual eh seu verdadeiro nome xP